9/10/2018 - Setor de comércio do Ceará aposta em festas de fim de ano para aquecer economia


Pagamento do 13º e as festas de fim de ano vão impulsionar setores do Ceará como comércio, serviços e indústria

Os últimos três meses do ano são decisivos para determinados setores da economia no Ceará. Enquanto comércio e serviços projetam uma melhora de cenário, a indústria e a agropecuária visualizam retração ou retomada lenta em relação ao ano passado. No início de 2018, o governo estadual previa um crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) cearense. Quase 10 meses depois, o avanço esperado, de 1,6%, é retrato de um ano de instabilidade política, greve dos caminhoneiros, desvalorização do real e recuperação demorada do emprego. Entretanto, a injeção do 13º salário, combinada com a empolgação das festas de fim de ano, férias escolares, aumento do número de turistas, entre outros fatores, devem reaver ganhos.

"Apesar das incertezas eleitorais em âmbito nacional, a economia cearense deve apresentar performance melhor nos últimos meses do ano de 2018, quando comparado a 2017. A economia do Estado do Ceará já apresenta sinais de recuperação, como apontam alguns indicadores, a exemplo do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-CE), em que mostra no acumulado de janeiro a setembro deste ano, que já crescemos 1,2%", analisa o economista Allisson Martins. De acordo com ele, embora seja um número positivo e tenha trajetória crescente, o resultado ainda não compensou a retração econômica observada nos anos mais intensos da crise, nem a quantidade de empregos necessária para estabilizar o mercado de trabalho cearense.

"Contudo, as expectativas são boas. No comércio, o volume de vendas do varejo já cresceu 3,1%, no ano de 2018, o que denota movimento positivo de compras pelo consumidor. Podemos destacar o comércio de veículos, motocicletas e peças, que cresceu 7,9% em 2018". Martins também afirma que há perspectiva de elevação gradual do nível de emprego, combinada com inflação controlada e juros em trajetória de queda consistente. "Além de maior fluxo de renda nos últimos meses, especialmente devido ao 13º salário, a tendência é de crescimento ainda maior das vendas nos últimos meses do ano, o que deve irradiar efeitos na indústria, e também para inserir serviços", reforça.

Comércio e serviços

Apesar da recuperação lenta, a atração de investimentos e o equilíbrio fiscal do Ceará são fatores positivos e que impactam diretamente em todos os setores da economia. Como exemplo, há a consolidação do hub aéreo da Air France-KLM e Gol em Fortaleza, o início do funcionamento do hub de tecnologia, impulsionado pelo Data Center da Angola Cables, e a parceria entre os Portos do Pecém e de Roterdã, que pode expandir o volume de exportações do Estado. Para o comércio, esses três meses são decisivos. Segundo Maurício Filizola, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), após o período de eleições, o setor retoma mais fortemente as vendas.

"Vamos ter a parcela do 13º salário, a Black Friday, datas de fim de ano. Isso é um diferencial, e a expectativa é de crescimento em relação ao ano passado. Além disso, a confiança do consumidor e do empresário se mantém em patamares otimistas. Já sentimos também um pouco de estabilidade do desemprego e agora vamos aguardar a passagem das eleições", reitera Filizola.

Segundo ele, entre os fatores que contribuem para o resultado positivo estão taxas de inflação em queda, juros baixos e o financiamento do sistema bancário para as empresas. "Já o crédito ao consumidor está em um patamar muito alto, inibindo as compras, mas aos poucos a gente vai recuperando isso". Como resultado, há a previsão de geração de vagas no setor. "Teremos, sim, crescimento no número de empregos temporários".

Para Rodolphe Trindade, presidente da Abrasel Ceará, uma coisa é certa: "o fim de ano é sempre bom para a gente". Ele diz que as confraternizações de fim de ano lotam os estabelecimentos. "Temos essa perspectiva das pessoas festejarem. É sempre um bom momento. O hub aéreo já está ajudando nisso, trazendo mais turistas. Temos ainda a incerteza política, mas isso vai se definir nas próximas semanas. Temos também expectativa de ofertar mais vagas de empregos temporários", acrescenta.

Cenário ainda tem incertezas

Ainda se recuperando dos anos de crise, o setor industrial cearense continua cauteloso. "O panorama é de baixo avanço porque o nível de incerteza ainda é elevado, afetando o consumo", diz o economista do Núcleo de Economia e Estratégia da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Antonio Martins. De acordo com ele, apenas alguns segmentos possuem boas projeções para o fim do ano, como os relacionados aos bens de consumo, a exemplo de alimentos e vestuário. Martins diz que a expectativa para o último trimestre é melhor do que em igual período de 2017. "Ainda é uma expectativa que não é tão boa quanto a projetada no início do ano".

Já o cenário para a agropecuária cearense é mais grave. De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya, não há atividade na agricultura neste período porque a quadra chuvosa se inicia apenas em 2019. "É um período que ficamos no preparo da terra". (HRN)


Fonte: Diário do Nordeste

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