28/09/11 - Debatedores destacam importância de dados mais precisos para desenvolver turismo no país

O real impacto das atividades do setor de turismo na economia nacional pode ser mensurado por um instrumento chamado Conta Satélite do Turismo (CST), com padrões oficializados pela ONU em 2001, mas até hoje utilizado por apenas dez países. A CST e sua possível aplicação no Brasil foram tema de debate, nesta terça-feira (27), como parte das atividades da 5ª Semana de Turismo, realizada pelas comissões temáticas da área do Senado e da Câmara.

A CST é um sistema de informações desenvolvido pela Organização Mundial de Turismo (OMT) para medir as dimensões dos setores econômicos não especificados nas Contas Nacionais, que reúnem estatísticas sobre produção, consumo e exportação, entre outros.

A ideia é isolar o consumo do turista, com alojamento, transportes, alimentação, locação de carros e outros produtos e serviços, do consumo da população residente. Com esses dados objetivos, seria possível, por exemplo, definir melhores estratégias para o setor.

Wilson Rabahy, professor da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apresentou dados preliminares reunidos em 2003, como parte de estudo conduzido pela Fipe com números relativos a 1999, que levaram à constatação de que quase 2,5% do PIB do Brasil vêm do turismo.

Dentre os setores de atividades, as maiores contribuições para o produto turístico eram dadas por transportes (34,8%), destacando-se o aéreo (17,9%) e o rodoviário (16,8%); alimentação (22,6%); e hotéis (12,9%). O número estimado de empregos gerados pelo turismo em 1999 foi de 2,4 milhões, representando 3,3% da População Economicamente Ativa (PEA) empregada.

Oficialmente, entretanto, a reunião desses dados é de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Embratur.

Outros itens

Segundo José Francisco Lopes, diretor de Estudos e Pesquisas da Embratur, também deveria entrar nessa conta o alimento que o turista deixa de consumir no frigobar do hotel e compra no mercado ou ainda a quantidade de lençóis adquiridas anualmente pelos hotéis. De acordo com ele, são 20 milhões de peças têxteis em estoque, com renovação anual de 20%.

Lopes citou, ainda, os 610 mil televisores adquiridos para a atividade, com renovação anual de 110 mil, e as entradas para teatros, museus, restaurantes e outras atividades, que não atendem somente ao turista nas cidades.

O diretor da Embratur disse ainda que, para o Brasil incrementar sua atividade turística - hoje o país atrai cerca de 5 milhões de turistas estrangeiros -, deveria investir nos vizinhos da América Latina. O maior número de visitantes do México, que recebe 21 milhões de turistas, por exemplo, é proveniente dos Estados Unidos: mais de 19 milhões. A maior parcela do turismo brasileiro é interno, com 85%; o turismo internacional responde por apenas 15% da atividade.

Padronização

A primeira Conta Satélite do Turismo (CST) do mundo foi elaborada pelo Canadá em 1994. Também já elaboraram o estudo países como Estados Unidos, Austrália e Espanha.

A conta é padronizada para fornecer informações fidedignas e consistentes dos impactos socioeconômicos do setor e para permitir compará-los entre países. Os dados também permitem avaliar a importância do turismo na economia nacional e estabelecer relações e comparações com outros setores de atividade.

Os tipos de bens e serviços associados ao turismo são classificados como: característicos, aqueles que, sem o turismo, deixariam de existir em quantidade significativa ou teriam seu consumo reduzido substancialmente (alojamento, transportes, alimentação e bebidas, serviços recreativos); conexos, aqueles consumidos pelos visitantes em quantidades significativas, mas que não são típicos nem exclusivos (táxis, artigos de artesanato, souvenires, restaurantes, locação de automóveis, etc); e específicos, os que se destinam exclusivamente aos turistas (agências de turismo).

Também participaram da audiência pública Ricardo Monte de Moraes, do IBGE; Oreni Campelo, vice-presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur); Faisal Saleh, secretário de Turismo do Paraná; e Moacyr Auersvald, do Conselho Nacional de Turismo. A reunião foi presidida pelo senador Benedito de Lira (PP-AL).

Fonte: Agência Senado