Angeloni, Pão de Açúcar e Walmart anunciaram lojas em Londrina; novos empreendimentos garantem economia para o consumidor
Depois da derrubada da Lei da Muralha, em julho do ano passado, que impedia a construção de empreendimentos comerciais de grande porte na chamada “área nobre de Londrina”, um quadrilátero que abrangia praticamente todo o centro da cidade, pelo menos três novas redes de supermercados se instalaram no Município: Angeloni; Pão de Açúcar – que entra com a bandeira Assai Atacadista – e Walmart. O novo cenário é muito interessante para o consumidor e nem tanto para os empreendimentos já instalados.

A maior preocupação dos supermercadistas é com o Walmart, que tem uma política de preços diferenciada e muito agressiva. Chamada de Preço Baixo Todo Dia (PBTD), a política envolve negociação com fornecedores e uma logística bem estruturada, além de reduzir os custos operacionais ao máximo. “A margem de lucro por produto é pequena, mas a rede ganha no volume negociado. A política é não deixar o produto parado muito tempo na prateleira”, explica o economista e professor da Faculdade Pitágoras e da UTFPR, Marcos Rambalducci.
O gerente de relações institucionais do Walmart no Brasil, Eduardo Cidade, não classifica o PBTD de “agressivo”, contudo diz que a rede pratica preços baixos e isso já foi comprovado por pesquisas. Ele não quis comentar a Lei da Muralha – “um episódio já superado” – que atrasou os planos da multinacional. “O que importa é que estamos cumprindo tudo o que determina a atual legislação, fizemos um investimento de R$ 42 milhões na cidade e vamos gerar 200 novos empregos”, diz.

Os supermercadistas, no entanto, estão apreensivos. A regional londrinense da Associação Paranaense de Supermercados (Apras) não quis conversar com a reportagem do JL sobre o assunto. Coube à Apras Curitiba enviar nota minimizando a chegada do novo concorrente. Segundo o documento, o investimento do Walmart é vista com otimismo pelos associados e que “a competitividade é saudável e o setor todo tende a ganhar”. Ainda de acordo com a nota, “o Paraná todo vem crescendo muito no setor supermercadista e temos duas redes estaduais no ranking das maiores do país. O setor é muito competitivo e o consumidor é o maior beneficiado com isso”. Em Londrina, a Apras contabiliza 55 supermercadistas associados, cinco deles de redes e o restante proprietários de lojas de pequeno e médio portes.

Hoje, Londrina tem 811 minimercados, 85 supermercados e 7 hipermercados, com situação cadastral ativa ou precária (provisória), segundo dados da Gerência de Cadastros Mobiliários da Secretaria Municipal de Fazenda. A entrada do Walmart, de acordo com Rambalducci, não vai prejudicar os “pequenos”. “A briga vai ser acirrada sim, mas entre os grandes. É o mesmo mercado com novos jogadores. E entre supermercados e shoppings não se permite conluios e quartéis”, diz.

Os minimercados e mercearias, de acordo com ele, só serão prejudicados com a volta da inflação. “Enquanto a inflação estiver sob controle, não é preciso fazer aquelas compras enormes. Pode continuar correndo na mercearia da esquina, quando for preciso, que é o que a maioria faz. Ninguém pega o carro para ir até um grande mercado comprar poucas coisas.”

Preço baixo, mas a compra final, não

O professor de economia Marcos Rambalducci explica que promoções e até uma política de preços baixos não significa necessariamente economia para o consumidor. “O ideal é fazer pesquisa de preços e comprar apenas o que está realmente mais barato”, diz. O problema, segundo ele, é que poucas pessoas fazem isso. “Os hipermercados têm o apelo de ‘compre tudo o que precisa aqui’ e trazem novidades que o consumidor não está acostumado. Assim, o tíquete acaba ficando igual ou maior que em outros locais”, aponta.

Fonte: Jornal de Londrina